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Oxitocina intranasal para a psicopatologia social: mecanismos de acção e biomarcadores preditivos usando neuroimagiologia, genética e inteligência artificial

A doença mental é o maior contribuinte para a doença crónica na Europa, representando metade das despesas de segurança social (OMS, 2008). No entanto, o atraso da neuropsiquiatria em relação a outros campos da medicina, na compreensão dos mecanismos da doença e na previsão da resposta ao tratamento, limita severamente a recuperação e qualidade de vida dos indivíduos. Com a proposta actual, focada no neuropéptido oxitocina (OT) e no seu promissor uso farmacológico, procuramos melhorar os modelos fisiopatológicos e terapêuticos da esquizofrenia (SCZ), enfatizando a (muito negligenciada) sintomatologia sócio-cognitiva. Procuramos responder a 2 questões:
1) Qual o impacto da oxitocina intranasal (OT) nos neurocorrelatos da cognição social em pacientes com SCZ – e de que forma este efeito é influenciado pela farmacoterapia dopamina(DA)-érgica e pela variabilidade genética relevante?
2) Poderemos prever a probabilidade de um individuo com SCZ apresentar efeitos na actividade do estriado promovidos pela OT intranasal durante uma tarefa de recompensa social, usando inteligência artificial (IA) em dados genéticos, de dosagem da medicação DAérgica e imagiológicos sem-tarefa?
Este projecto interdisciplinar, único em Portugal, propõe uma manipulação farmacológica duplamente cega, aleatorizada-controlada de OT, em conjunto com uma avaliação farmacogenética da influência genética da OT no funcionamento cerebral durante um jogo social (Dilema do Prisioneiro), que elicita recompensa social e processamento de confiança. Além da abordagem baseada em hipóteses para caracterizar a sobreposição das vias da OT e DA, usaremos também uma abordagem sem-hipóteses de IA, procurando um biomarcador preditivo para a OT – com potencial translacional e de eficiência de custos.
Este empreendimento deriva de: 1) trabalho pioneiro da PI no iMM onde iniciou a caracterização da interacção entre OT e DA na cognição social de individuos saudáveis; 2) trabalho anterior da PI na etiologia, resposta de tratamento a antagonistas da DA e biomarcadores preditivos do inicio da SCZ, combinando genética e neuroimagem, no Instituto de Psiquiatria (King’s College London, KCL); 3) do co-PI ter desenvolvido novas ferramentas de neuroimagem e modelos de IA que servem como biomarcadores; e 4) na recente criação do NeuroPsyCAD, resultante das suas linhas de trabalho altamente complementares.
Este projecto estabelece também uma triangulação entre: 1) colaboração académica entre pares de uma instituição aplicada e uma instituição técnica, académica e biomédica (iMM e IBEB, respectivamente); 2) nova colaboração académico-clínica com os departamentos de Psiquiatria de 3 hospitais em Lisboa; e 3) colaboração académica- industrial com uma empresa recém criada (NeuroPsyCAD); inclui também colaborações internacionais com KCL e Emory University (US) – em suma, uma oportunidade formativa extremamente valiosa em Portugal e um importante avanço interdisciplinar nas neurociências e psiquiatria.